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Saúde do homem em pauta

16 de julho de 2020 / Cotidiano / por Comunicação Krypton BPO

No último dia 15 de julho foi ressaltada a importância da saúde do homem na data em que foi escolhida como o Dia Internacional do Homem.  Vários portais de notícias e outros veículos de comunicação abordaram sobre o momento de forma simbólica, sobretudo para chamar a atenção deles para os cuidados com a saúde.

Devido a pandemia do novo coronavírus, alguns debates dentro desse contexto se fazem necessários. É o que indica uma pesquisa da universidade de Sussex, na Inglaterra, em parceria com a universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, que comprovou que homens têm mais resistência a usar máscara durante a pandemia.

Por isso, fomos conversar com o Doutor Pedro Romanelli, ele que é Coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Madre Teresa. Atua também como médico urologista do Hospital da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, médico urologista da Equipe do Hospital Mater Dei e médico urologista do Hospital Felício Rocho, onde atua como Proctor de Cirurgia Robótica. Além de ser Membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica e Presidente da Sociedade Brasileira de Urologia – MG. O intuito da entrevista é fomentar essa discussão, além de esclarecer mais sobre esse assunto. Acompanhe o bate-papo abaixo.

  • Referente a pesquisa que mostra dados nos quais evidencia a aceitação do uso de máscaras com índices mais altos entre as mulheres, por qual motivo os homens não gostam de usar máscara?

PR: As mulheres, desde cedo, são levadas ao ginecologista e passam a cuidar melhor da sua saúde. Passam a observar mais o seu corpo e as alterações que ele sofre. Os homens, muitas vezes, delegam esses cuidados à mãe e, posteriormente, à esposa. Eles são criados para enfrentar riscos e não para evitá-los. É uma questão cultural. Isso acaba fazendo com que os homens estejam mais expostos a situações perigosas. Muitas vezes, não acreditam que também podem adoecer. Neste momento, em que todos precisamos tomar os devidos cuidados com a covid- 19, eles acabam negligenciando a autopreservação.

  • O fator “desigualdade entre gêneros” incide sobre o percentual?

PR: O estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de Middlesex, no Reino Unido, e do Instituto de Pesquisa em Ciências Matemáticas, nos EUA, mostra exatamente essa desigualdade quando o assunto é comportamento preventivo.

Feito online, o experimento contou com 2.459 participantes residentes nos Estados Unidos, compondo uma amostra heterogênea e representativa da população de áreas urbanas, segundo os pesquisadores.

Os resultados mostraram que menos homens do que mulheres relatam ter intenção de usar máscara ou outro tipo de cobertura facial contra a disseminação do vírus — a diferença no comportamento dos dois gêneros diminui em lugares onde o uso de máscara é obrigatório.

Em parte, essa diferença se explica pelo fato de que, segundo a pesquisa, os homens acreditam menos na possibilidade de ser seriamente afetados pela covid-19 em comparação às mulheres. Eles têm uma percepção subjetiva maior de que não serão pegos pela doença e que, caso aconteça, serão capazes de se recuperar facilmente. O estudo lembra que essa crença é irônica, dado que as estatísticas têm mostrado uma letalidade maior do vírus entre homens.

Também foram observadas diferenças de gênero nas emoções negativas associadas ao uso de cobertura facial que os participantes relataram. Com maior frequência em relação a mulheres, homens concordaram com as afirmações de que o uso da máscara é vergonhoso, estigmatizante, não é legal e é um sinal de fraqueza. Essas emoções também estão relacionadas ao fato de que menos homens pretendem usar máscara.

  • Qual a faixa etária de maior não aceitação do uso das máscaras? Por quê?

PR: A pesquisa não traz esse dado, mas acredito que a faixa etária que vai dos 18 aos 40 anos seja a mais complicada. Costuma ser a faixa etária em que os homens acreditam ter superpoderes e adotar mais os comportamentos de risco.

Reforço que esse comportamento dos homens durante a Covid vai de encontro ao resultado de pesquisas anteriores, como a da Sars (Síndrome respiratória aguda grave) e de H1N1. Nelas, também foi constatada a maior probabilidade de as mulheres aderirem ao uso de máscaras que os homens.

  • Ainda de acordo com a pesquisa, esse comportamento da população masculina ocorreu durante as epidemias de SARS e de H1N1. Você acredita que para fazer com que os homens desconstruam seus preconceitos com relação ao uso de máscara, por exemplo, será necessário mais que uma orientação de saúde, mas também uma educação sobre fatores sociais, levando em consideração todo um histórico da sociedade?

PR: Acredito que essas mudanças de paradigmas são lentas, mas observamos que já vem ocorrendo uma grande mudança. Tem sido mais comum vermos homens preocupados com a alimentação, atividade física e com os exames de rotina.

Ao final do bate-papo, Romanelli deixa uma mensagem para o Dia Internacional do Homem.

Neste dia da Saúde do Homem, é importante compreender que prevenir é muito melhor do que remediar. Quem procura acha, mas quem acha pode tratar a tempo.”

Imagem: Background photo created by freepik – www.freepik.com

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